Thursday, May 1, 2008

sobre a probabilidade de dois mundos


Chegados a certa idade, surgem-nos estas duas possibilidades:

- O "mundo" é todo forjado; nada é real, mas apenas um filme feito de propósito para mim (para fazer alguma experiência, talvez)

ou

- Cada um tem a sua consciência, os seus medos, e está solto no mundo, tal como eu; tudo é real.


Mas não há uma verdadeira oposição entre estes dois cenários, pois o primeiro pressupõe o segundo, ou seja, uma realidade virtual pressupõe uma real que a construiu.

Por isso, a primeira possibilidade é muito menos provável que a segunda.

Friday, April 25, 2008

As maravilhas

há já um tempo a Laura pediu-me que dissesse aqui no blog quais eram as minhas sete maravilhas.
Perdão, Laura, mas vou aproveitar a deixa para fazer um post em que já andava a pensar anteriormente, o que implica uma fuga ao que me pediste.

As maravilhas são só duas.
São as duas teorias ou conceitos que contribuem para a minha saúde mental:

Darwinismo
Teoria das Probabilidades

Wednesday, April 9, 2008

Post de escuta

Fantomas
(com Terry Bozzio e a sua bateria pantagruélica)

Tuesday, April 1, 2008

um apontamento sobre telemóveis

A propósito de acontecimentos recentes, tenho visto/lido gente defender a proibição de telemóveis nas salas de aula. Ora, um telemóvel não é uma arma, poderá ser uma distracção e mesmo na sala de aula é até, às vezes, útil.

É pior um aluno distrair-se a enviar uma mensagem no telemóvel do que a ler uma revista, ou a roer um lápis?

Esta tentativa de banir de vez os telemóveis da sala de aula é apenas o reflexo do nosso ódio à tecnologia. Não nos podemos ver livres deles, mas na realidade detestamos os telemóveis. E assim, tentamos aproveitar diferentes situações para os inferiorizar. O avanço da tecnologia é um duelo para o ser humano, podemos ir perscrutando-o por estas irracionais proibições.

Para além disto, o problema deve-se simultaneamente à sacralização da educação. Dentro do mesmo espírito, porque têm demorado tanto tempo os computadores a entrar nos métodos pedagógicos? Porque é a Internet diabolizada no meio educacional?

Tuesday, March 25, 2008

La Joconde

O fenómeno pop da Gioconda. Ei-lo:


os que estavam no Louvre, dia 19 deste mês, a "observá-la". Reparem que não há praticamente japoneses, ao contrário do que diz o mito.

Saturday, March 15, 2008

Programa (com anglicismos e neologismos)

Domingo, ir swingar para a Braço de Prata

Segunda, ir Parissear (Como quem diz percorrer o Boulevard St Michel, subir os Champs Élysées e entrar em exposições no Centre Pompidou).


Friday, March 7, 2008

profecias

Hoje sonhei que estava perdido em Moscovo.

Wednesday, February 27, 2008

strange loops

Bezoar é uma palavra de origem persa.
É a designação geral atribuída a pedras que se formam no interior de animais.
Dizia-se que um bezoar era a cura para todos os venenos.
O fascinante na pedra é inverter a aparente ordem natural. São os seres vivos quem nasce do mundo mineral e não o contrário.
Estranhamente, para o bezoar o nosso corpo é o mesmo lar inorgânico que são para nós as grandes lages.

Quero construir uma casa com bezoares para depois viver dentro dela.

Friday, February 22, 2008

um físico teórico explica por que gosta do que faz

I'm a theoretical physicist (...) what I've come to realize is that the best part of what I do is collaborating with remarkably creative people. Understanding the tiny tweaks and unexpected transitions in the universe's evolution requires prodigious amounts of rigor, originality and personality. It reminds me of the ingredients for a good jazz ensemble. (...) Long threads of conversation can be based on a poorly understood assumption, just to see where the idea will lead us. We improvise and strike out in different directions, following whichever note sounds most promising. (...) We hear both bravura solo performances and wrong notes. But ultimately, there comes a singular moment when the right chord of an elegant solution reveals itself (...).

Nick Halmagyi, in Seed magazine

Sunday, February 17, 2008

a taxonomia da mente

Muitas vezes considero-me anarquista, mas fascinam-me as regras, as leis. Penso que é isso que me leva à ciência. A necessidade de classificar, de pôr as coisas em compartimentos do modo mais verdadeiro possível. (Para depois, no fim, podermos descobrir matematicamente que essas caixas não existem.)
Isto é algo que também me parece muito relevante nas neurociências, especificamente. Uma taxonomia das ideias. Nesta nossa época, os pensamentos, instintos e emoções (cá está uma série de classificações provavelmente mal feitas) vão sofrer um tratamento semelhante ao dado a animais e plantas pelos "naturalistas" do iluminismo.

Wednesday, February 13, 2008

a perfeição

Tenho provado vinhos para desenvolver o gosto, tenho aprendido música para exercitar o ouvido, tenho jogado xadrez para aprimorar o intelecto e tenho feito flexões para aumentar os peitorais.
Continuo constipado.

Tuesday, February 12, 2008

sono

A certa altura em "Morte a Crédito" de Céline, o protagonista afirma que só escreve porque tem insónias.

Quanto a mim, ainda não escrevo a sério apenas porque durmo demais.

Sunday, February 3, 2008

dentro/fora

Os meus vizinhos têm um tapete junto à porta que diz "Welcome".
Normalmente, essa inscrição está virada para fora de maneira que quem entre em casa deles a possa ler e sentir-se cumprimentado.
Mas ontem o tapete estava virado ao contrário. Agora é o mundo quem saúda os meus vizinhos quando saem de casa, o que talvez seja bem mais necessário.

Wednesday, January 23, 2008

Post de escuta

Bill Frisell (mais uns compinchas muito bons)





Tuesday, January 22, 2008

consciência e moralidade

"I remember talking to some people about space travel, and they were interested in making computer-controled devices that went and sat on planets, and if they were really intelligent then they didn't need to send people. But if they're really intelligent maybe they have to be conscious too - they said, 'Yes, yes, well of course they'll be'; but then if they're conscious, well, you've got to bring them back, you've got a moral responsability to them."

Roger Penrose